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Especial Mentes que
aprisionam
 Paula Neiva e Karina Pastore
Todo mundo tem lá suas manias: verificar se o
gás está mesmo desligado, somar os números da placa do carro da
frente, organizar certos objetos com simetria e por aí vai. O
jogador e galã inglês David Beckham, por exemplo, além de colecionar
namoradas indiscretas, tem o costume de guardar sempre em sua
geladeira um número par de latinhas de refrigerante. As manias são
uma espécie de atavismo. Sob a ótica das teorias evolucionistas,
algumas delas foram essenciais para o desenvolvimento e a
preservação da espécie humana. De nossos antepassados longínquos,
sobreviveram os mais prudentes e precavidos – justamente os
"maníacos" por estocar alimentos, zelar pela prole e evitar as
ameaças naturais. Ter uma ou outra mania, portanto, está dentro do
quadro de normalidade. Elas nos tranqüilizam em relação a perigos,
ajudam a organizar a rotina e até a passar o tempo.
Por diversos motivos, muitos dos quais ainda
não totalmente esclarecidos pela ciência, as manias podem, no
entanto, se transformar em doença. Chamado cientificamente de
transtorno obsessivo-compulsivo, ou TOC, o mal ocupa o quarto lugar
entre os distúrbios psiquiátricos mais freqüentes, com quase 7
milhões de vítimas no Brasil. Quem padece de TOC é acometido por
pensamentos intrusivos ou idéias recorrentes e, para aliviar a
angústia causada por essas obsessões, desenvolve comportamentos
repetitivos – designados pelos médicos de rituais compulsivos. De
todas as doenças da mente, o TOC é uma das que mais impingem
sofrimento. Ele transforma seus portadores em "escravos de suas
próprias idéias e ações", como define a psiquiatra Ana Beatriz
Barbosa Silva, autora do best-seller Mentes e Manias – Entendendo
Melhor o Mundo das Pessoas Metódicas, Obsessivas e Compulsivas.
O pano de fundo para o TOC é um medo, assim
como ocorre no caso dos fóbicos. Só que os portadores de fobias têm
um medo irreal em relação a um objeto real – e evitam entrar em
contato com o suposto perigo, para afastar uma crise. No caso dos
obsessivo-compulsivos, é mais complicado. O que gera angústia é um
pensamento que causa medo. Para se livrarem dele, adotam
comportamentos compulsivos. Um dos quadros mais comuns do distúrbio
é o que envolve o medo obsessivo de contaminação – um bom exemplo é
o personagem de Jack Nicholson no filme Melhor É Impossível,
que, entre outras manias, usava luvas quase o tempo todo, só comia
com talheres descartáveis e não pisava nos rejuntes das calçadas.
Alguns pacientes chegam a se lavar com produtos pesados de limpeza,
como água sanitária e detergente, só porque encostaram em outra
pessoa. Muitos não se contentam com um banho. Só se tranqüilizam
depois de vários e longos banhos. "A diferença entre a mania
saudável e a patológica é muito mais quantitativa do que
qualitativa", afirma o psiquiatra Márcio Versiani, coordenador do
Programa de Ansiedade e Depressão da Universidade Federal do Rio de
Janeiro. A doença se manifesta, enfim, quando as manias incapacitam
para as atividades cotidianas.
As vítimas de TOC são como Sísifo, personagem
do clássico Odisséia, poema épico de Homero. Como castigo por
ter enganado Zeus, o deus dos deuses, Sísifo foi condenado a levar
uma pedra enorme até o topo de uma montanha – para vê-la sempre
rolar até o sopé e começar tudo de novo. Em O Mito de Sísifo:
Ensaio sobre o Absurdo, o escritor francês Albert Camus
(1913-1960) escreve: "Se esse mito é trágico, é porque o seu herói é
consciente. Onde estaria a sua tortura se, a cada passo, a esperança
de conseguir o ajudasse? Sísifo, impotente e revoltado, conhece toda
a extensão de sua miserável condição. É nela que pensa durante a sua
descida". Os obsessivo-compulsivos têm consciência de que seus
pensamentos e atitudes são completamente ilógicos. Ainda assim, como
Sísifo, eles têm plena consciência de seu martírio, mas não
conseguem se livrar da condenação imposta por suas mentes.
O impacto do TOC pode ser devastador. Depois de
acompanhar cerca de 700 pacientes, médicos do Hospital Mount Sinai,
em Nova York, concluíram que 70% deles tiveram suas relações
familiares estraçalhadas pela mania patológica. Nove de cada dez
obsessivo-compulsivos sofrem de baixa auto-estima. Não é de
estranhar, portanto, que o transtorno freqüentemente se faça
acompanhar de outros distúrbios psiquiátricos, sobretudo depressão,
dependência do álcool e fobias específicas. Não bastasse a angústia
provocada pela doença em si, o TOC faz com que o paciente carregue o
peso da vergonha. Por isso, os doentes tendem a camuflar os sintomas
e custam a procurar ajuda. "Entre o surgimento dos primeiros sinais
e o diagnóstico de TOC, os pacientes levam, em média, dezessete
anos", diz o psiquiatra Eurípedes Miguel, coordenador do Projeto
Transtornos do Espectro Obsessivo-Compulsivo, da Universidade de São
Paulo. "O problema é que, quanto mais tempo um paciente passa sem
tratamento, mais os sintomas se intensificam."
Sem ajuda, a doença é incontrolável. "É uma
luta inglória, com derrota garantida", define Ana Beatriz Barbosa
Silva, no livro Mentes e Manias. Os pensamentos repetitivos e
as idéias fixas acabam congestionando o cérebro. Todos os rituais a
que os pacientes se submetem como forma de afastar as obsessões
estimulam ainda mais esses pensamentos. O contrário também dá na
mesma: se eles tentam não executar as tarefas que se impõem, as
obsessões ficam mais fortes. O círculo é vicioso: as obsessões
deflagram compulsões que reforçam as obsessões. Não raro, os rituais
compulsivos não guardam nenhuma relação lógica com a obsessão que os
origina. É infernal.
"Eu chorava de ódio de mim mesma porque não
conseguia mais controlar meus pensamentos", lembra a atriz Luciana
Vendramini, de 32 anos. Os primeiros sinais da doença surgiram em
1996. Nessa época, ela só conseguia dormir se visse um táxi amarelo
passando na rua. Em seguida, ela passou a se deitar se visse dois
táxis amarelos, um atrás do outro. Depois, os dois táxis amarelos e
uma pessoa andando na direção oposta. Uma das características do
transtorno é a mudança de manias ao longo do tempo. Foi o que
aconteceu com Luciana. Houve um momento em que a atriz condicionava
seus atos ao tipo de idéia que lhe vinha à cabeça. Para sair do
banho, por exemplo, Luciana precisava "congelar um pensamento bom"
na mente. Obviamente, nessas horas, ela só pensava em coisas ruins.
Um dia seu pai teve de invadir o banheiro e tirá-la de lá à força.
Fazia dez horas que Luciana estava no chuveiro. Ela também enfrentou
uma situação complicada quando, em 1997, conseguiu uma participação
no extinto programa Você Decide, da Rede Globo, depois de um
bom tempo sem trabalhar. "Eu criava rituais para começar o dia que
podiam se estender por muitas horas", diz. Com medo de se atrasar
para as gravações do programa, ela simplesmente não dormia. Luciana
tinha de cumprir várias "obrigações" para sair do quarto: acordava,
pegava um colar com a imagem de São Bento, fazia o sinal-da-cruz,
colocava o pé direito no chão, depois o esquerdo e tinha de sair do
quarto com um pensamento bom na cabeça. Quando saía do quarto, ia
para o banho e começava a se lavar – primeiro pelo lado direito do
corpo. Nessa etapa, havia novamente a obrigação de formular um
pensamento bom. No ápice da doença, a atriz perdia um dia inteiro
nesse labirinto de obsessões e compulsões. Avessa a medicamentos,
Luciana relutou muito até se convencer de que deveria tomar remédio.
Há dois anos, ela conseguiu controlar suas manias. Às vezes, ainda
sente uma compulsãozinha por lavar as mãos repetidas vezes, mas não
se deixa levar. "A doença não me pega mais", diz. Depois de dois
anos de tratamento, Luciana voltou aos palcos.
As causas do TOC ainda não foram totalmente
desvendadas. Sabe-se que o transtorno tem componentes ambientais e
genéticos. Graças ao desenvolvimento de máquinas capazes de flagrar
o cérebro em funcionamento, descobriram-se algumas das áreas
cerebrais que servem de sede para as obsessões e as compulsões. As
duas principais delas, o córtex órbito-frontal e os gânglios da
base, são responsáveis pelo processamento das informações recebidas
e pelo controle do medo. Já foi estabelecido também o papel da
substância serotonina no desenvolvimento da doença. Produzida no
cérebro, a serotonina está associada às sensações de prazer e
bem-estar. Por isso, o tratamento medicamentoso do TOC ganhou
impulso no fim dos anos 80, quando surgiram os primeiros
antidepressivos criados especificamente para manter um nível
saudável de serotonina no cérebro – são os remédios da família do
Prozac. Dos medicamentos antigos, os tricíclicos, são usados apenas
aqueles cuja ação está concentrada na serotonina. O mais usado deles
é a clomipramina, vendida sob o nome comercial de Anafranil. O TOC
não tem cura, mas pode ser controlado. A combinação de
antidepressivos com psicoterapia reduz em até 80% a manifestação dos
sintomas. A terapia mais utilizada é a comportamental-cognitiva, em
que o terapeuta tenta convencer o doente de que suas preocupações
são infundadas. Para isso, ele não só usa argumentos lógicos, como
expõe o paciente ao objeto de suas aflições. Os primeiros sinais de
melhora começam a surgir entre duas e quatro semanas após o início
do tratamento. A medicação é mantida por, ao menos, um ano. O
objetivo é diminuir os riscos de recaída.
O TOC foi descrito pela primeira vez em 1838,
pelo psiquiatra francês Jean-Étienne-Dominique Esquirol. O caso era
o de Mademoiselle F., uma jovem de 18 anos que foi tomada pela
aflição de que, um dia, ao visitar a tia, pudesse roubar-lhe algum
pertence. Mais tarde, a moça passou a ser acometida por rituais de
verificação. Filha de um comerciante, Mademoiselle F. gastava horas
e mais horas fazendo e refazendo as contas da loja. Mesmo que os
resultados conferissem, a jovem não se convencia. Suas aflições,
pouco a pouco, foram aumentando. Ela começou a ter de lavar as mãos
sempre que encostava em alguma coisa. Gastava mais de três horas com
a higiene diária. Em seguida, passou a não sair mais de casa com
medo de se sujar e cair doente. Na época, com muita propriedade,
Esquirol usou a expressão "loucos razoáveis" para definir os
obsessivo-compulsivos: "O paciente é constrangido a realizar atos
(...) que sua consciência desaprova, mas sobre os quais ele não tem
controle voluntário (...) É a monomania instintiva. Os monomaníacos
têm sempre motivos mais ou menos plausíveis para se
justificar".
O conceito de neurose obsessivo-compulsiva, no
entanto, só seria concebido no início do século XX, por Sigmund
Freud, o pai da psicanálise. Para ele, os pensamentos obsessivos e
os rituais compulsivos surgem como resposta inconsciente a
determinados desejos que levam a um estado de ansiedade. Por mais
desconfortáveis que sejam os sintomas da obsessão e da compulsão,
eles seriam menos incômodos do que enfrentar conscientemente as
razões do tormento psíquico. O estudo clássico sobre a doença é O
Homem dos Ratos, publicado em 1909. Nele, Freud conta a história
de um jovem que vivia atormentado pela idéia de que seu pai ou a
moça por quem era apaixonado pudessem ser vítimas do ataque de
ratos. A obsessão pelo bicho surgiu depois de ele ouvir o relato de
um tipo de tortura muito temido naquele tempo. O prisioneiro era
amarrado nu, de bruços, com as pernas afastadas. Sobre as nádegas
dele, o carrasco colocava, de cabeça para baixo, um balde cheio de
ratos. Por meio de técnicas psicanalíticas que ainda estavam em seus
primórdios, Freud descobriu que a obsessão do jovem paciente se
relacionava ao desejo inconsciente que ele tinha de se opor às
vontades do pai. "Ele resolveu esse conflito caindo doente. Assim,
evitava resolvê-lo na vida real", escreveu Freud.
Alguns distúrbios psiquiátricos podem ser
confundidos com o TOC, como o sexo compulsivo, o jogo patológico, a
hipocondria, a bulimia e a anorexia, entre outros. A principal
diferença é que os pacientes desses transtornos não têm consciência
de que seus pensamentos e atitudes são absurdos. A anorexia, por
exemplo, é caracterizada pela preocupação excessiva com o peso
corporal e a quantidade de calorias ingeridas. Por mais que o
paciente seja magro ou emagreça, ele sempre se vê como gordo e deixa
de comer. Um obsessivo-compulsivo que desenvolve um ritual em que
deixa de se alimentar não o faz porque se sente feio. Toma esse
caminho para afastar de sua mente algum pensamento catastrófico.
Além disso, ele tem consciência de que não comer faz mal.
Prisioneiro de sua mente, no entanto, ele prefere passar fome a ter
de pensar em coisas ruins.
Mesmo pessoas saudáveis são suscetíveis a
apresentar traços (leves) de obsessão-compulsão em determinados
momentos da vida. "Em situações de stress, elas tendem a
ritualizar", afirma o psiquiatra Márcio Bernick, coordenador do
Ambulatório de Ansiedade, da Universidade de São Paulo. A maioria
dos que embarcam para o exterior tem a mania de, a caminho do
aeroporto, conferir inúmeras vezes se o passaporte e a passagem não
ficaram para trás. É, sem dúvida, um ritual compulsivo de
verificação. Quem já se apaixonou sabe que a paixão é terreno fértil
para as obsessões e as compulsões. Até a adolescência, a vida
de meninos e meninas é marcada por rituais compulsivos que ajudam no
desenvolvimento. As crianças pedem sempre para ouvir a mesma
história, como uma forma de estabelecer uma rotina interna. Por
volta dos 6 anos, dedicam-se a álbuns de figurinhas, coleções de
carrinhos ou de bonecas, o que lhes propicia interagir com o mundo e
aprender a desempenhar papéis sociais. Na idade adulta, certos
sintomas podem aparecer, sobretudo entre as mulheres grávidas ou que
acabaram de ter filho. No último mês de gestação e três meses depois
do parto, não é incomum que as mães apresentem uma preocupação
obsessiva em relação à criança. Naturais e esperados, os rituais de
controlar se está tudo bem com o bebê são importantes para a
segurança e a saúde física e emocional da criança.
A reviravolta hormonal e psicológica pela qual
as mulheres passam durante o período de gravidez é tão acentuada que
algumas das que têm predisposição genética à doença desenvolvem o
transtorno a partir dessa fase da vida. Não há levantamentos
estatísticos sobre o assunto, mas, segundo os médicos, a prática
clínica mostra que um de cada três pacientes de TOC é mulher e
apresenta os primeiros sintomas do mal durante ou logo após a
gravidez. Nos outros doentes, o distúrbio aparece entre o final da
adolescência e o início da idade adulta. Atinge homens e mulheres,
ricos e pobres, ocidentais e orientais em igual proporção. A boa
notícia é que a ciência hoje consegue manter o TOC sob controle.
Ninguém mais está condenado a viver refém da própria mente.
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Pensamentos
que atormentam e comportamentos que se
repetem
As obsessões são pensamentos ou
idéias recorrentes. As compulsões são ações ou atitudes
repetitivas. Em 90% dos casos de transtorno
obsessivo-compulsivo (TOC), as duas estão associadas. As
vítimas de TOC são levadas a cumprir o que os médicos
chamam de "rituais compulsivos". Na mente dos pacientes,
eles servem para aliviar a angústia causada pelos
pensamentos obsessivos. Os mais comuns são:
• SIMETRIA O que é: Cuidado extremo com exatidão ou
alinhamento de objetos. Às vezes, ao tocar algum objeto
ou alguém sem querer com um dos braços, a pessoa sente
que tem de fazer o mesmo com o outro
braço O relato de um
caso: "Quando via os CDs do meu quarto
fora de ordem, ficava angustiado, com a sensação de que
eu ou meus pais poderíamos sofrer um acidente"
• MENTAL O que é: A pessoa tem certeza de que se não
cumprir determinadas "tarefas mentais", como repetir
inúmeras vezes uma mesma frase ou palavra, jamais ficará
livre dos pensamentos ruins que a assombram
O relato de um caso:
"A estrela de cinco pontas é um
símbolo místico: com a ponta virada para cima representa
o Bem; com a ponta virada para baixo, o Mal. Adivinha em
qual eu pensava? Toda vez que a estrela virada para
baixo me vinha à cabeça, e isso acontecia toda hora, eu
tinha de repetir mentalmente o nome de alguns anjos:
Gabriel, Miguel, Rafael..."
• CONTAMINAÇÃO O que é: Medo desmedido de se contagiar por
vírus, bactérias ou substâncias tóxicas. Esse tipo de
obsessão está associado a rituais de limpeza e
lavagem O relato de um caso:
"Fico desesperado quando encosto
sem querer em alguém na rua. Imediatamente acho que a
pessoa está doente e que eu posso ter pego aids. Só me
tranqüilizo depois de passar horas no banho, me
limpando"
• SOMÁTICOS O que é: Preocupação excessiva com doenças,
mesmo que a pessoa não apresente nenhum
sintoma O relato de um caso:
"Vivo achando que estou com câncer.
Não sinto nada, sei que não tem nada a ver, mas essa
idéia me atormenta o tempo inteiro"
• DÚVIDAS O que é: Preocupação constante com o fato de
não confiar em si mesmo. É quase impossível estar seguro
de ter mesmo realizado determinada
tarefa O relato de um caso:
"Qualquer coisa que faço me deixa
sempre com uma interrogação na cabeça: 'Será que fiz
mesmo?' ou 'Será que eu fiz direito?' Não tenho
segurança, nem paz. Minha vida é um inferno"
• AGRESSÃO O que é: A sensação de que se está na
iminência de ferir ou insultar alguém. Isso tende a
levar a rituais de verificação O relato de um caso:
"Depois que meu filho nasceu, minha
mania de só fechar as gavetas de talheres quando eles
estivessem arrumadinhos piorou bastante. Passei a pensar
que, se fechasse a gaveta e alguma faca se deslocasse lá
dentro, seria capaz de pegá-la e ferir meu filho (...)
Como quando eu fechava a gaveta das facas não conseguia
ter certeza de que, ao fechá-la, nenhuma faca tinha
saído do lugar lá dentro, ficava abrindo e fechando a
gaveta muitas vezes"
• COLECIONISMO O que é: Idéia fixa em colecionar
determinados objetos ou não se desfazer deles, por achar
que tudo poderá ser útil no futuro O relato de um caso:
"Comecei a juntar jornais há quinze
anos. Tenho todos eles até hoje. Não consigo jogar
nenhum exemplar fora com medo de que algum dia eu venha
a precisar de alguma informação contida ali"
• RELIGIOSO O que é: Pensamentos freqüentes de
blasfêmias e pecado O relato de um caso:
"Sempre que via a imagem de Jesus
crucificado, com apenas um pano enrolado em seu corpo,
me vinha à cabeça a imagem dele fazendo sexo com Maria.
Eu não consigo evitar esses pensamentos e estou sempre à
espera da punição"
• SEXUAL O que é: A mente pode ser dominada por
pensamentos obscenos e impulsos incestuosos, indesejados
ou impróprios, que causam enorme sofrimento à vítima do
TOC. O relato de um caso:
"Evito sair de casa por medo de não
conseguir tirar os olhos dos órgãos genitais de quem
encontrar na rua ou de fazer propostas indecorosas a
quem eu julgar atraente"
Fontes: Albina Rodrigues Torres,
psiquiatra e professora do departamento de neurologia
e psiquiatria da Faculdade de Medicina de Botucatu
Universidade Estadual Paulista, e Ana Beatriz
Barbosa Silva, psiquiatra e autora do livro Mentes
e Manias
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